Todos os artigos de Rui Serra

thinker. blogger. writer. photographer

Os Lusíadas do Séc. XXI

I

As sarnas de barões todos inchados
Eleitos pela plebe lusitana
Que agora se encontram instalados
Fazendo o que lhes dá na real gana
Nos seus poleiros bem engalanados,
Mais do que permite a decência humana,
Olvidam-se do quanto proclamaram
Em campanhas com que nos enganaram!
II

E também as jogadas habilidosas
Daqueles tais que foram dilatando
Contas bancárias ignominiosas,
Do Minho ao Algarve tudo devastando,
Guardam para si as coisas valiosas
Desprezam quem de fome vai chorando!
Gritando levarei, se tiver arte,
Esta falta de vergonha a toda a parte!
III

Falem da crise grega todo o ano!
E das aflições que à Europa deram;
Calem-se aqueles que por engano
Votaram no refugo que elegeram!
Que a mim mete-me nojo o peito ufano
De crápulas que só enriqueceram
Com a prática de trafulhice tanta
Que andarem à solta só me espanta.
IV

E vós, ninfas do Coura onde eu nado
Por quem sempre senti carinho ardente
Não me deixeis agora abandonado
E concedei engenho à minha mente,
De modo a que possa, convosco ao lado,
Desmascarar de forma eloquente
Aqueles que já têm no seu gene
A besta horrível do poder perene!

Luiz Vaz Sem Tostões
(autor desconhecido)

Alentejano é mesmo assim

Durante escavações recentes nos EUA, os arqueólogos descobriram, a 100m de profundidade, vestígios de fios de cobre que datavam do ano 1.000. Os americanos concluíram que os seus antepassados já dispunham de uma rede telefónica desde aquela época.

Entretanto os espanhóis escavaram também o seu subsolo, encontrando restos de fibras ópticas a 200m de profundidade. Após minuciosas análises, concluíram que elas tinham cerca de 2.000 anos de idade, divulgando triunfantes, que os seus antepassados já dispunham de uma rede digital à base de fibra óptica quando Jesus nasceu!

Uma semana depois, em Serpa , no semanário local, foi publicado a seguinte notícia: “Após inúmeras escavações arqueológicas no subsolo de Serpa, Beja, Évora, Moura, Estremoz e Redondo, entre outras localidades alentejanas, até uma profundidade de 5000 m, os cientistas alentejanos não encontraram absolutamente nada. Assim se conclui que os antigos habitantes daquela região alentejana já dispunham, há 5.000 anos atrás, de uma rede de comunicações sem-fios, vulgarmente conhecida, hoje em dia, pela designação de “Wireless”.

the writer

“The writer learns to write, in the last resort, only by writing. He must get words onto paper even if he is dissatisfied with them. A young writer must cross many psychological barriers to acquire confidence in his capacity to produce good work—especially his first full-length book—and he cannot do this by staring at a piece of blank paper, searching for the perfect sentence.”

– Paul Johnson

Poesia

«Um dia um poeta francês foi apresentado a um riquíssimo banqueiro. O apatacado e emproado personagem perguntou ao poeta:

– Para que serve a poesia?
E o poeta respondeu-lhe:
– Para o senhor, não serve para nada.» 

O resto é tudo . . . ficção

O livreiro novato para o livreiro mais antigo:

– Mestre, como posso distinguir os temas dos livros e saber onde os arrumar?

– Os livros com textos antigos vão para a filosofia. Os livros com textos curtinhos e, às vezes com rima, vão para a poesia. Os livros com diálogos edidascálias vão para o teatro.

– Didas… quê?

– Didascálias.

– Ah!… E o resto?

– O resto?!… Embora, muitas vezes não pareça, é tudo ficção.

citações #11

“We drink too much, smoke too much, spend too recklessly, laugh too little, drive too fast, get too angry, stay up too late, get up too tired, read too little, watch TV too much. We have multiplied our possessions but reduced our values. We talk too much, love too seldom, and hate too often. We’ve learned how to make a living but not a life. We’ve added years to life, not life to years.”

– George Carlin